O município de Campinas está construindo o Plano pela Primeira Infância Campineira (PIC), que visa “pensar e planejar a cidade para as crianças de zero a seis anos de idade para os próximos dez anos”. A proposta é, a partir de um diagnóstico, com planejamento de ações, metas e metodologia de acompanhamento e avaliação. dar prioridade e qualificação à política de atendimento, a fim de garantir o direito às necessidades básicas da criança [1].
Mas pra quê investir na primeira infância?
A primeira infância (0 a 6 anos) é a fase mais sensível para o desenvolvimento humano. É nela que os primeiros vínculos são construídos, eternizando experiências a partir do afeto.
Essa fase tão estruturante deve receber investimento com responsabilidade e seriedade. Para além da questão meramente econômica, há uma questão relacionada ao desenvolvimento humano, em seu aspecto qualitativo e afetivo.

Estamos falando do destino da humanidade.

O que se sabe é que o investimento na primeira infância, além de conter uma relevante questão ética, traz retornos econômicos não só para as crianças, como para suas famílias, comunidades e a sociedade em geral. Apontam as pesquisas que intervenções nos primeiros anos de vida garantem maiores benefícios do que aquelas realizadas mais tarde, na juventude ou vida adulta.
Por meio do investimento na primeira infância podemos quebrar o ciclo da pobreza e da violência, dando nova oportunidade para esse ser que se tornará um adulto.

A Bolsa de Valores Humanos decidiu investir naqueles que vivem sob medida de acolhimento institucional porque sabe que essas crianças que experienciaram desde muito cedo violações de direitos e rompimento familiar precisam de esforços e investimento redobrados para romperem o ciclo vicioso no qual estão imersas.

Para se ter uma ideia, para que consigam aproveitar futuras oportunidades e tornarem-se sujeitos produtivos inseridos na sociedade, é necessário que as crianças, até ao final da primeira infância, tenham adquirido: afeto de seus cuidadores; saúde e nutrição adequadas; capacidade de interação positiva com suas famílias, professores e colegas; habilidade de comunicar-se (fazer-se entender e ser entendido) em sua língua nativa e aptidão para aprender no ensino primário.

A insuficiência de investimento no desenvolvimento infantil compromete a capacidade da criança para atingir essas metas importantes e alcançar seu pleno potencial na vida. São as intervenções nos primeiros anos que potencializam a compensação de tendências negativas e fornecem às crianças mais oportunidades de uma qualidade ideal de aprendizagem, crescimento físico e desenvolvimento emocional saudável. A consequência desse investimento é o aumento da sua produtividade ao longo da vida.

A maioria dos países deixa a desejar em sua prestação de serviços essenciais para as crianças e suas famílias. Damos ênfase aqui à insuficiência de políticas eficazes em relação às famílias disfuncionais que perderam o poder familiar e tiveram seus filhos encaminhados a serviços de acolhimento.

A potencialidade humana, infelizmente, corre um sério risco com a desigualdade de oportunidades para o desenvolvimento humano.

Para a Bolsa de Valores Humanos, a saída está no investimento da vida humana, sobretudo nos primeiros anos de vida, já que “quando investimos na primeira infância, estamos investindo na sociedade com um todo. Quando você cuida do começo da história, você pode mudar a história toda” (O começo da vida, 2016).

A BVH está nessa luta pela implementação de direitos de crianças e adolescentes, em especial aquelas que vivem em serviços de acolhimento, e conta com o seu investimento para mudar o rumo de muitas histórias!

[1] http://www.campinas.sp.gov.br/noticias-integra.php?id=34317